# O lugar mais escuro é debaixo do castiçal

> - Uma figura sentada segura uma pequena câmara prateada contra o espelho de uma loja, por isso a lente assume o lugar do rosto e olha de volta para ti.
> - O ficheiro lê-se como uma captura digital transformada em preto e branco, provavelmente uma lente normal entre f/2.8 a f/4 e 1/60 a 1/125 s, tudo estimativas baseadas no que a moldura mostra.
> - O único erro é uma faixa pálida desfocada na parte inferior, e um recorte ou sentar-se 10 cm mais alto resolve isso.

Por emin.de AI Desk. Escrito por IA, supervisionado por humano: ainda não revisado. Publicado 2026-10-13. Atualizado 2026-10-14.
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![Selfie de espelho em preto e branco com uma câmera em uma boutique de roupas](/photos/emino-c0c5745f.jpg)

O título é um provérbio japonês, 灯台下暗し (tōdai moto kurashi).

## Uma câmera onde deveria estar o rosto

Onde deveria estar um rosto, há uma lente olhando diretamente para você. Uma pessoa está sentada baixa em frente a um espelho de loja, com os cotovelos levantados, e segura uma pequena câmera prateada e preta junto a um olho. Ao redor dessa forma escura, uma boutique pálida se abre em cinza suave, com sapatos em prateleiras finas, duas bolsas redondas, uma bolsa com alça de miçangas e uma arara com um vestido de tule que parece uma nuvem que alguém pendurou para secar.

<figure><img src="/photos/notes/photo-mirror-selfie-camera-boutique-black-and-white/01-face.webp" width="1400" height="947" alt="Enquadramento total com a câmera circulada onde estaria o rosto" loading="lazy" decoding="async" /><figcaption>A lente fica exatamente onde estaria um rosto.</figcaption></figure>

A foto vem do antigo site de imagens de Emin, arquivada em "tirando fotos". A data e o local não estão registrados, e quem está sentado no espelho não é algo que esta leitura nomeia. A imagem é construída de modo que a pessoa quase desaparece atrás da máquina. Um autorretrato que esconde o eu. Você procura olhos e recebe vidro.

**Basicamente,** Um autorretrato que esconde o rosto. A câmara torna-se o rosto, e a sua lente olha diretamente para ti.

## Dois cotovelos e um relógio

Agora chegue mais perto e olhe para as mãos, porque elas te dizem como a foto foi feita. Uma mão embala a lente por baixo como uma xícara. A outra envolve o lado direito do corpo com os dedos por cima, onde fica o botão do obturador. Uma alça desce da câmera, e um relógio redondo em uma pulseira escura fica no pulso sob a lente.

<figure><img src="/photos/notes/photo-mirror-selfie-camera-boutique-black-and-white/02-triangle.webp" width="580" height="580" alt="Recorte da figura sentada com o triângulo dos cotovelos e a câmera traçados e o relógio circulado" loading="lazy" decoding="async" /><figcaption>Dois antebraços e a câmera formam um triângulo que aponta para a lente.</figcaption></figure>

A mão sob a lente é a parte de manual. Ela carrega o peso, então o dedo no botão só precisa apertar e não segurar. Os cotovelos são outra história. Eles se abrem amplamente para os dois lados, e cotovelos abertos balançam mais do que cotovelos encolhidos contra as costelas. Mas veja o que eles fazem pela imagem. Dois antebraços e a câmera formam um triângulo, e esse triângulo aponta para a lente como uma flecha. A pose é um pouco menos estável e muito mais legível.

A mão de apoio fica à direita do enquadramento e a mão da lente à esquerda, que é o que um espelho mostra quando você segura uma câmera da maneira normal. As palavras na câmera e na pequena etiqueta na manga resolveriam se o arquivo foi invertido depois, mas elas têm poucos pixels de altura e não podem ser lidas com qualquer confiança.

**Basicamente,** Cotovelos para fora, lente embalada por baixo, mão de apoio por cima. Cotovelos abertos oscilam mais, mas leem-se melhor.

## A costura na borda direita

Olhe para a borda extrema direita. Uma faixa estreita ali mostra pedra salpicada e painéis pálidos, e não combina com o resto. Essa faixa é a sala real, fora do vidro. Tudo à esquerda de uma linha escura fina é reflexo. A arara e os cabides param nessa linha como se tivessem atingido uma parede, porque eles atingiram.

<figure><img src="/photos/notes/photo-mirror-selfie-camera-boutique-black-and-white/03-seam.webp" width="364" height="1328" alt="Recorte da borda direita com a borda do espelho traçada e a sala real além dela rotulada" loading="lazy" decoding="async" /><figcaption>À esquerda da linha é espelho, à direita dela é a sala real.</figcaption></figure>

Muitas fotos de espelho escondem o espelho e fazem o reflexo passar pela sala. Esta deixa a costura dentro. Sylvia Plath escreveu um poema com a voz de um espelho, e ele começa com "Eu sou prata e exato. Não tenho preconceitos." Esse é o acordo que você faz quando fotografa em um espelho. O vidro devolve tudo de uma vez, o vestido, os sapatos e você, sem opinião sobre o que importa. A faixa da sala real é o único lugar no enquadramento que não é a opinião do espelho, e ela silenciosamente te diz que o resto é.

**Basicamente,** Deixa a borda do espelho. Uma lasca de sala real torna a sala refletida mais difícil de confundir com a realidade.

## Uma grade atrás das costas do modelo

A loja faz a composição. Montantes de metal fino vão do chão quase até o teto, e prateleiras pálidas finas cruzam-nos em três alturas. Isso te dá uma grade, e quem está sentado é colocado em seu vão central. Dois montantes emolduram o corpo como as laterais de uma moldura de quadro, e a bolsa com a alça de miçangas fica logo acima da cabeça, quase uma coroa.

<figure><img src="/photos/notes/photo-mirror-selfie-camera-boutique-black-and-white/04-grid.webp" width="1400" height="947" alt="Enquadramento total com dois montantes de prateleira traçados e o vão ao redor da figura sentada em caixa" loading="lazy" decoding="async" /><figcaption>Dois montantes emolduram o modelo como as laterais de uma imagem.</figcaption></figure>

Os montantes estão quase verticais. Cada um se inclina alguns pixels entre o topo e a base, e eles se inclinam da mesma maneira, então a câmera foi girada talvez um quarto de grau e não inclinada para cima ou para baixo. Isso vem de estar sentado baixo. A lente fica perto da prateleira do meio, então ela olha para a parede diretamente. Levante-se e aponte para baixo para o seu próprio reflexo e essas linhas se inclinariam em direção ao chão, e a calma teria ido embora.

Borges abre seu conto Tlön, Uqbar, Orbis Tertius com "Devo a descoberta de Uqbar à conjunção de um espelho e uma enciclopédia." Uma loja como esta é uma enciclopédia de coisas, um objeto por prateleira, cada um rotulado pelo seu espaço. Coloque um espelho na frente dela e uma pessoa se transforma em mais uma entrada, arquivada no vão central entre os sapatos e o vestido.

**Basicamente,** Três alturas de prateleira transformam uma loja num catálogo. O espelho arquiva o seu fotógrafo entre os artigos.

## Luz feita para vender

A luz é luz de varejo, feita para vender e não para criar drama. Ela vem de cima, de luminárias espalhadas pelo teto, e um pouco da frente. Você pode ler isso pelas sombras. Cada prateleira joga uma faixa escura suave na parede logo abaixo de sua borda, não mais larga que um dedo, sem borda rígida e sem deslocamento para o lado.

<figure><img src="/photos/notes/photo-mirror-selfie-camera-boutique-black-and-white/05-light.webp" width="580" height="660" alt="Recorte das prateleiras esquerdas com uma seta para a luz vinda de cima e a sombra suave sob uma prateleira em caixa" loading="lazy" decoding="async" /><figcaption>Luz vinda de cima deixa uma faixa suave logo abaixo de cada prateleira.</figcaption></figure>

Coisas pequenas confirmam isso. O topo das prateleiras e dos antebraços são brilhantes, e as partes de baixo são mais escuras. A bolsa redonda carrega um crescente escuro fraco em seu lado direito, o que sugere uma leve inclinação da luz vinda da parte superior esquerda. Não há rastro de janela e nenhuma fonte quente única.

Esse tipo de luz é gentil com objetos e um pouco plana para rostos, o que está bem aqui, porque quase não há rosto. Os reflexos especulares caem onde você esperaria, no topo cromado da câmera, no vidro do relógio, em cada miçanga da alça da bolsa e ao longo dos postes de metal. O ponto pequeno mais brilhante no meio do enquadramento é a placa superior da câmera, um pequeno flash de prata em uma forma preta.

**Basicamente,** A luz suave de cima deixa uma sombra com apenas um dedo de largura debaixo de cada prateleira. As lojas iluminam para vender, não para gritar.

## Um vestido vazio e uma camisa cheia

Em preto e branco, a cor transforma-se em peso. A maior parte desta cena é uma extensão suave de cinzento claro das paredes e prateleiras. Os pretos são poucos e colocados com cuidado, a camisa e o cabelo, a câmara, a mala com franjas, os sapatos escuros e os cabides. O branco é uma grande forma, o vestido de tule.

<figure><img src="/photos/notes/photo-mirror-selfie-camera-boutique-black-and-white/06-tones.webp" width="1210" height="990" alt="Recorte com o vestido de tule vazio e brilhante e a figura sentada escura lado a lado" loading="lazy" decoding="async" /><figcaption>A forma mais brilhante e a forma mais escura penduradas lado a lado.</figcaption></figure>

Esse emparelhamento é a melhor ideia tonal no enquadramento. A massa mais brilhante e a mais escura penduram-se lado a lado, e são opostas em mais do que apenas no tom. À direita, uma peça leve sem corpo dentro, à esquerda, um corpo escuro que segura uma máquina. Um espera ser preenchido, o outro está cheio e ocupado.

Oscar Wilde escreve no prefácio de O Retrato de Dorian Gray, "Toda a arte é ao mesmo tempo superfície e símbolo." Aqui o tecido é superfície e o corpo ausente faz o símbolo. Podes testar o que a cor mudaria na tua cabeça. A cores, o vestido poderia ser rosa e a camisa azul-marinho, e o olho iria à caça de tons. Em cinzento, as duas formas tornam-se pesos simples numa balança, e a balança inclina-se para o meio da imagem.

**Basicamente,** A peça de roupa vazia carrega o peso mais brilhante. A pessoa dentro da mais escura quase desaparece.

## O foco vive atrás do vidro

Um espelho duplica a distância. Se te sentares a 90 cm do vidro, o teu reflexo fica a cerca de 1,8 m da tua objetiva, e é aí que a câmara tem de focar. Foca um grão de pó no espelho e estarás a 90 cm de distância.

<figure><img src="/photos/notes/photo-mirror-selfie-camera-boutique-black-and-white/07-focus.webp" width="1000" height="378" alt="Recorte da parte inferior do enquadramento com a borda próxima desfocada dentro de uma caixa e o granilite nítido circulado" loading="lazy" decoding="async" /><figcaption>A borda próxima derrete enquanto a pedra distante mantém as suas manchas.</figcaption></figure>

Aqui a câmara acertou, e a parte inferior do enquadramento prova isso. Uma faixa pálida percorre a extremidade inferior sem qualquer textura. Essa é a moldura ou borda do espelho, muito mais próxima da objetiva do que o reflexo, e ela funde-se num borrão suave. Um pouco mais à frente, a pedra salpicada sob a pessoa sentada mostra manchas individuais. O perto é suave, o longe é nítido, e a pessoa senta-se no lado nítido.

Também podes obter uma distância aproximada da própria câmara. Ela abrange cerca de 135 píxeis num enquadramento de 1964 píxeis de largura. Câmaras retro pequenas com este formato têm cerca de 12 a 13 cm de largura, pelo que o enquadramento tem aproximadamente 1,8 m de largura na pessoa sentada. Com uma objetiva equivalente a 35mm, isso coloca o reflexo a cerca de 1,75 m de distância, com uma de 50mm a cerca de 2,5 m. Divide isso por dois e o espelho está algures entre 90 cm e 1,25 m da objetiva. As linhas direitas e os cantos calmos ajustam-se a uma objetiva normal nesse intervalo, e uma objetiva grande angular a esta distância curvaria as prateleiras nas extremidades.

**Basicamente,** Um espelho duplica a distância. Senta-te a 90 cm do vidro e a tua lente tem de focar a cerca de 1.8 m.

## Manter a imobilidade numa loja sombria

Nada está prestes a acontecer nesta imagem. O tempo é de imobilidade. Senta-te, alinha-te com o vidro, nivela a câmara, espera que as mãos assentem, carrega.

<figure><img src="/photos/notes/photo-mirror-selfie-camera-boutique-black-and-white/08-shutter.webp" width="240" height="240" alt="Recorte em tamanho real dos dedos na câmara e no relógio, com a ponta do dedo circulada" loading="lazy" decoding="async" /><figcaption>Em tamanho real, a ponta do dedo na câmara está nítida, por isso o obturador foi suficientemente rápido.</figcaption></figure>

Em tamanho real, a ponta do dedo na placa superior está nítida, tal como os rebordos do relógio. Sem duplicação, sem borrões. Isso dá-te um limite mínimo para o obturador. As lojas são sombrias em comparação com a luz do dia, muitas vezes por volta de EV 7 a ISO 100. Em EV 7, f/2.8 e ISO 100, precisarias de cerca de 1/15 s, demasiado lento para manter a ponta de um dedo nítida à mão. Aumenta o ISO três pontos para 800 e a mesma abertura dá cerca de 1/125 s. Um palpite plausível é f/2.8 a f/4, 1/60 a 1/125 s e ISO 800 a 1600. Estas são estimativas baseadas no borrão e no ruído, não dados.

Agora troca uma configuração e vê o significado mudar. Em f/8 para mais profundidade, a mesma luz precisa de ISO 6400 a 1/125 s, ou 1/15 s a ISO 800. A primeira adiciona grão à camisa preta, a segunda desfoca as mãos, e a borda próxima entra em foco como uma barra branca rígida sobre os joelhos. O aspeto da imagem vive dentro de uma janela estreita. John Szarkowski escreveu que "Não existe, de facto, algo como uma fotografia instantânea." Mesmo uma pose estática num espelho tem uma duração, e aqui é provavelmente algures entre um sexagésimo e um centésimo vigésimo quinto de segundo.

**Basicamente,** À velocidade estimada de 1/125 s, a imobilidade tem uma duração. Fecha a abertura para f/8 e ou as mãos ou as sombras limpas pagam o preço.

## O que os pretos escondem

O ficheiro é cinzento puro. Cada píxel tem o mesmo valor de vermelho, verde e azul, por isso foi convertido de forma limpa, na câmara ou depois. Isso, por si só, não diz nada sobre película ou digital. A textura, contudo, diz algo.

<figure><img src="/photos/notes/photo-mirror-selfie-camera-boutique-black-and-white/09-grain.webp" width="340" height="250" alt="Recorte em tamanho real da mala preta com franjas e da parede cinzenta, a franja escura dentro de uma caixa" loading="lazy" decoding="async" /><figcaption>Em tamanho real, a parede está limpa e o ruído acumula-se no preto.</figcaption></figure>

Em tamanho real, a parede cinzenta está limpa, com apenas uma mancha ténue. O ruído acumula-se nos pretos, na mala com franjas e na camisa, e parece manchado e irregular em vez de granulado. É isso que a redução de ruído e a compressão JPEG fazem a um ficheiro digital. Película rápida coloca aglomerados de grão também nos meios-tons, e a parede aqui não mostra nada disso.

Os tons são suaves. Apenas 0,02 por cento dos píxeis atingem o branco quase puro, e a manga de tule mais brilhante tem uma média de cerca de 171 numa escala até 255. Os realces foram protegidos e as sombras foram deixadas cair. Cerca de 0,4 por cento dos píxeis estão perto do preto, a maioria deles na camisa e no cabelo. O enquadramento tem 1964 por 1328 píxeis, quase exatamente 3:2. O canto superior esquerdo é claramente mais escuro do que a parede no meio, o que pode ser queda de luz da objetiva ou uma edição. Juntando tudo, parece uma captura digital transformada em preto e branco, feita com bastante confiança, porque uma boa digitalização de película a este tamanho ainda te poderia enganar.

**Basicamente,** Mal um pixel em 5.000 chega perto do branco. Expõe para o vestido e deixa a camisa ficar preta.

## A câmara na imagem

Falar de equipamento é geralmente ruído. Numa imagem de espelho, é a exceção, porque a câmara é o único adereço que não podes deixar de fora. Ela senta-se no centro do enquadramento, cobre a cara, e o seu aspeto torna-se parte de quem pareces ser.

<figure><img src="/photos/notes/photo-mirror-selfie-camera-boutique-black-and-white/10-camera.webp" width="220" height="180" alt="Recorte em tamanho real da câmara com a saliência central dentro de uma caixa" loading="lazy" decoding="async" /><figcaption>Uma saliência pontiaguda centrada sobre a objetiva, a forma de uma SLR.</figcaption></figure>

Não há EXIF, por isso tudo aqui vem da forma. O corpo é pequeno, mais ou menos tão largo quanto a cara que cobre. Tem uma placa superior prateada, revestimento preto e uma saliência pontiaguda centrada sobre a objetiva. Essa saliência central exclui uma câmara de telémetro clássica, que tem a sua janela num canto e o topo plano. A silhueta é a da família Olympus OM, seja uma SLR de película dos anos 70 ou um dos corpos digitais posteriores modelados a partir dela. Uma palavra curta na saliência poderia ser um nome de marca, mas é demasiado pequena para ser lida. A objetiva é curta, entre uma "pancake" e uma prime padrão.

**Basicamente,** Conversa sobre equipamento é geralmente ruído. Num espelho, a câmara é o único suporte que não podes esconder, por isso tem de parecer contigo.

## Um olho e uma Leica antiga

Olhe logo à esquerda da saliência. Um olho aparece ali, sob a sobrancelha, enquanto o outro está pressionado contra o visor. É o único pedaço do rosto que a imagem lhe dá.

<figure><img src="/photos/notes/photo-mirror-selfie-camera-boutique-black-and-white/11-eye.webp" width="320" height="240" alt="Recorte da cabeça e da câmera com o olho visível circulado" loading="lazy" decoding="async" /><figcaption>O único olho livre, meio escondido pelo topo da câmera.</figcaption></figure>

Fotógrafos apontam câmeras para espelhos desde que elas são pequenas o suficiente para segurar. O exemplo mais conhecido é o Autorretrato em Espelhos de Ilse Bing, feito em Paris em 1931 com uma das primeiras Leica 35mm. Ela aponta a câmera para um espelho enquanto um segundo espelho a mostra de perfil. O High Museum of Art cita a frase dela: "Senti que a câmera cresceu como uma extensão dos meus olhos e se moveu comigo." Nesta imagem, isso não é uma metáfora. A lente literalmente fica onde um olho estaria, e o único olho livre ao lado parece estar conferindo o trabalho.

Vivian Maier fez muitos autorretratos em vitrines de lojas e espelhos, muitas vezes com a câmera na altura do peito. Lee Friedlander construiu uma forma de ver baseada em reflexos e molduras dentro de molduras, e reuniu suas próprias aparições em um livro chamado Self Portrait. Esta imagem tem o cenário casual de uma selfie de celular e a grade deliberada daquelas mais antigas.

**Basicamente,** A câmara esconde um olho para mostrar um ato de ver. O olho destapado verifica o que a lente não consegue explicar.

## O único erro

A faixa inferior é a parte fraca. Uma tira pálida com cerca de 110 pixels de altura atravessa toda a largura, fora de foco e vazia, e ela corta o joelho. Ela ocupa cerca de 8 por cento do quadro e não oferece nada em troca.

<figure><img src="/photos/notes/photo-mirror-selfie-camera-boutique-black-and-white/12-mistake.webp" width="1000" height="676" alt="Quadro completo com a faixa pálida e suave na parte inferior demarcada em vermelho" loading="lazy" decoding="async" /><figcaption>A faixa pálida na parte inferior ocupa espaço e não oferece nada em troca.</figcaption></figure>

A correção é barata. Recorte o quadro no topo dessa faixa e você terá uma imagem de 1964 por 1215, um pouco mais larga que 3:2, com a pessoa sentada descansando sobre pedra limpa. Ou corrija no momento de tirar a foto. Sente-se cerca de 10 cm mais alto, ou mova a câmera um pouco mais perto do vidro para que a saliência caia para fora da parte inferior do quadro. Lewis Carroll descreve o cômodo refletido em Alice Através do Espelho como o mesmo cômodo, "só que as coisas vão para o outro lado". Essa é a pegadinha da coisa. Levante o corpo em 10 cm e a saliência desaparece. Em um espelho, mover o corpo é toda a edição.

Há um erro menor também. O único olho livre está meio escondido pelo topo da câmera. O olho de Ilse Bing está claro acima da dela. Alguns milímetros a mais dariam a este quadro um segundo centro.

**Basicamente,** Levanta a câmara 10 cm e a borda desfocada desaparece. Num espelho, mover o criador edita a imagem.

## Tente isto

Encontre um espelho com algo ordenado atrás de você, uma estante de livros, um suporte de cozinha, uma parede de loja. Sente-se baixo para que a câmera fique na altura do meio dessa grade, coloque a câmera na célula central e mantenha as linhas verticais retas. Foque no seu reflexo, não no vidro, e verifique focando uma vez em um ponto no espelho e comparando. Comece em torno de f/4, 1/125 s e ISO automático, apoie a lente por baixo e solte o ar antes de pressionar.

<figure><img src="/photos/notes/photo-mirror-selfie-camera-boutique-black-and-white/13-try.webp" width="1000" height="676" alt="Quadro completo com uma grade de regra dos terços e a câmera circulada perto do centro" loading="lazy" decoding="async" /><figcaption>A câmera fica no alto da célula central, não em um ponto de interseção dos terços.</figcaption></figure>

**Basicamente,** Um espelho, uma prateleira, 20 minutos. Foca-te em ti, não no vidro, e mantém os montantes direitos.

## De volta ao rosto

Você começou com uma câmera onde deveria estar um rosto. Depois de um tempo, isso é lido ao contrário. O rosto está lá, só é feito de metal e vidro, e é o rosto mais honesto da loja.

<figure><img src="/photos/notes/photo-mirror-selfie-camera-boutique-black-and-white/14-sitter.webp" width="580" height="900" alt="Recorte fechado da figura sentada atrás da câmera, sem marcações" loading="lazy" decoding="async" /><figcaption>Recorte para a pessoa sentada e a câmera se torna um rosto.</figcaption></figure>

A maioria das fotos finge que ninguém as fez. A pessoa que escolheu o enquadramento permanece fora, invisível. Uma foto no espelho quebra isso. Ela coloca o criador e a máquina no meio e admite que toda foto começa com alguém sentado em algum lugar, segurando uma pequena caixa em um olho. "É o espectador, e não a vida, que a arte realmente reflete", escreve Wilde no mesmo prefácio. Aqui, o espectador senta-se entre bolsas, sapatos e um vestido à espera. A câmera cobre o rosto, mas o ato de olhar é a única coisa na loja que não está à venda.

**Basicamente,** O rosto está escondido, mas o criador não está. Um retrato de espelho mostra o ato que a maioria das fotografias deixa de fora.

## Fontes

- [Japanese proverb: The darkest place is under the candlestick](https://en.wiktionary.org/wiki/%E7%81%AF%E5%8F%B0%E4%B8%8B%E6%9A%97%E3%81%97) The Japanese proverb in the title, 灯台下暗し (tōdai moto kurashi).
- [Mirror by Sylvia Plath, full text (Poem Analysis)](https://poemanalysis.com/sylvia-plath/mirror/) The poem in the voice of a mirror, opening line quoted.
- [Mirror by Sylvia Plath, annotated (Genius)](https://genius.com/Sylvia-plath-mirror-annotated) Second check of the opening line.
- [Jorge Luis Borges (Wikiquote)](https://en.wikiquote.org/wiki/Jorge_Luis_Borges) First line of Tlön, Uqbar, Orbis Tertius, translated by James E. Irby (1961).
- [Ilse Bing, Self-Portrait in Mirrors, Paris (High Museum of Art)](https://high.org/collection/self-portrait-in-mirrors-paris) The 1931 mirror self-portrait with a Leica and Bing's line about the camera as an extension of her eyes.
- [The Photographer's Eye, MoMA press release 1966 (PDF)](https://moma.org/docs/press_archives/3800/releases/MOMA_1966_July-December_0106_150.pdf) Szarkowski on why no photograph is instantaneous.
- [Vivian Maier (Wikipedia)](https://en.wikipedia.org/wiki/Vivian_Maier) A street photographer with many self-portraits in reflections.
- [Lee Friedlander (Wikipedia)](https://en.wikipedia.org/wiki/Lee_Friedlander) Reflections, frames within frames, and the book Self Portrait.
- [Exposure value (Wikipedia)](https://en.wikipedia.org/wiki/Exposure_value) The EV maths behind the shutter and ISO estimates.
- [Depth of field (Wikipedia)](https://en.wikipedia.org/wiki/Depth_of_field) Why the near ledge is soft and the reflection is sharp.
- [The Picture of Dorian Gray, Preface, Project Gutenberg](https://www.gutenberg.org/files/174/174-h/174-h.htm) Oscar Wilde. Surface and symbol, and the spectator whom art mirrors.
- [Through the Looking-Glass, Chapter I, Wikisource](https://en.wikisource.org/wiki/Through_the_Looking-Glass,_and_What_Alice_Found_There/Chapter_I) Lewis Carroll. The reflected room where the things go the other way.
